Caridade, o dilema de servir, Disponível em Cosmogenealogia IV, tópico 20
Caridade, o dilema de servir
São Paulo, 05 de Julho de 2025
FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO
Do Livro: “O Evangelho Segundo o Espiritismo” – Capítulo XV – Item 10
Meus filhos, na máxima: Fora da caridade não há salvação, estão
encerrados os destinos dos homens, na Terra e no céu, na Terra, porque à sombra
desse estandarte eles viverão em paz, no céu, porque os que a houverem
praticado acharão graças diante do Senhor. Essa divisa é o facho celeste, a
luminosa coluna que guia o homem no deserto da vida, encaminhando-o para a
Terra da Promissão. Ela brilha no céu, como auréola santa, na fronte dos
eleitos, e, na Terra, se acha gravada no coração daqueles a quem Jesus dirá:
Passai à direita, benditos de meu Pai. Reconhecê-los-eis pelo perfume de
caridade que espalham em torno de si. Nada exprime com mais exatidão o
pensamento de Jesus, nada resume tão bem os deveres do homem, como essa máxima
de ordem divina.
Não poderia o Espiritismo provar melhor a sua origem, do que
apresentando-a como regra, por isso que é um reflexo do mais puro Cristianismo.
Levando-a por guia, nunca o homem se transviará. Dedicai-vos, assim, meus
amigos, a perscrutar-lhe o sentido profundo e as consequências, a
descobrir-lhe, por vós mesmos, todas as aplicações. Submetei todas as vossas
ações ao governo da caridade e a consciência vos responderá. Não só ela evitará
que pratiqueis o mal, como também fará que pratiqueis o bem, porquanto uma
virtude negativa não basta: é necessária uma virtude ativa.
Para fazer-se o bem, mister sempre se torna a ação da vontade, para se
não praticar o mal, basta as mais das vezes a inércia e a despreocupação.
Meus amigos, agradecei a Deus o haver permitido que pudésseis gozar a
luz do Espiritismo. Não é que somente os que a possuem hajam de ser salvos, é
que, ajudando-vos a compreender os ensinos do Cristo, ela vos faz melhores
cristãos.
Esforçai-vos, pois, para que os vossos irmãos, observando-vos, sejam
induzidos a reconhecer que verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só
e a mesma coisa, dado que todos quantos praticam a caridade são discípulos de
Jesus, sem embargo da seita a que pertençam.
Paulo, o apóstolo (Paris, 1860.)
‘Fora da Caridade não tem salvação’. Certa vez terminei uma live assim. Pensei em finalizar de modo clássico, deixando uma mensagem forte e boa. Dizia que nessa frase contém todo o ensinamento não de quem escreveu uma enciclopédia, mas que viveu o suficiente para aprender na prática.
No dia subsequente, em um grupo que participo, coincidentemente, vi alguém fazendo troça dessa frase. Deus do céu... Se fosse eu o autor eu admitiria o gracejo, mas não. Claro que essa frase não é minha, é atribuída à Allan Kardec e está lá no Evangelho Segundo o Espiritismo. Quem de sã consciência emite um gracejo para Allan Kardec? Deus do céu...
Eu divaguei o pensamento um pouco mais e me deparei com um incongruência pertinente. De fato, essa frase, por mais profunda e correta que seja, talvez agora, neste momento, tenha perdido o sentido. Tem razão, o mais correto a dizer no momento seria ‘Fora da Salvação não há Caridade’. Mas por quê? Explico.
- O Livro da Vida
O Livro da Vida já foi fechado por Nosso Senhor Jesus Cristo. Noticia dada em 26/09/2023, conforme consta na mensagem N.143 do Livro 2, da Louise Castanhedo:
‘O Cristo encerrou já sua revisão ao Plano.
Agora, tudo será encerrado. Quem fez, fez;
quem não fez terá de terminar seu dever em outro local. Tudo já foi determinado
e agora não se aumenta nem diminui nada na Operação de Despertamento Físico.
O Livro está sendo selado e a Graça para
este tempo encerrada.’
O que isso quer dizer? Quer dizer que o Joio já foi separado do Trigo. A Humanidade já foi repartida, entre aqueles que venceram suas Provas e Expiações e aqui ficarão para viver na Terra Regenerada, e aqueles que não passaram em suas respectivas provas deverão ser encaminhados para outros rincões para lá continuarem sua evolução. O Tempo da Graça faz referencia ao tempo quando nossos empenhos e esforços contavam para fazer juz ao nosso merecimento de avançar para o próximo estágio da Humanidade Terrestre, a Era da Regeneração. Esse tempo, porém, foi esgotado.
- A Graça, o Tempo do Meio
Segue um trecho da ‘Ode ao Povo Lusitano’, de 16/03/2024 - Disponível em Cosmogenealogia III, tópico 15.
IX
Eis que já escuto
suas trombetas, guardem seus filhos, recolham as estatuetas.
Pois que venceu o
tempo do meio, agora junto o fim com o começo. Pois que agora nada valem o
pranto surdo dos falsetas.
Para os justos um
novo começo, para os recalcitrantes a pedra de tropeço.
Hão de refazer o
mesmo caminho para achar de novo o mesmo endereço.
Em outras palavras, para nosso entendimento, seria como se um aluno fosse reprovado no seu ano letivo. Uma frustração o abateria, o deixaria triste. Ele reveria toda sua conduta ao longo do ano passado. Perceberia com alguma clareza como se comportou, sendo leviano e não comprometido com os estudos, e ainda esbanjando um tempo precioso com atividades insignificantes. Mudaria tudo isso se possível fosse. Porém o seu arrependimento não vai mudar a sua situação de aluno reprovado, pois a prova já passou e ele não conseguiu as notas necessárias para sua aprovação. Não tem com voltar e refazer passado, mas começar agora e fazer um novo fim. Ele está consciente do seu erro e já mudou o seu comportamento, mas as provas serão somente ano que vem, próximo ano letivo.
Então, voltando para o nosso tema, podemos considerar para este tempo a ineficácia do exercício da Caridade para aquela que não a exerceu, nem o menos conhece o seu conceito. Nada faz pelo seu semelhante, não possui esse pendor.
Mas a Caridade é antes de tudo um gesto de Amor para consigo mesmo, porque aqui cabe a premissa de Amar o próximo como a si mesmo. Aquele que exerce a Caridade é empata e atende ao apelo do seu coração que já se aflige com a situação precária ou de vulnerabilidade do próximo, e tenta de alguma forma ajudar. Caridade é o Amor em ação.
- Paulo de Tarso
Paulo de Tarso definiu a caridade como a “reunião de todas as qualidades do coração”, sendo assim a caridade é o amor em ação e se não for realizada com amor, muito pouco valerá para quem a pratica.
A caridade é o amor em ação porque:
É a manifestação prática do amor:
O amor, enquanto sentimento, é acompanhado pela ação de ajudar e se importar com o outro.
Envolve a prática do bem:
A caridade se concretiza em atos de bondade, solidariedade e serviço aos necessitados.
Promove a dignidade humana:
A caridade busca auxiliar o próximo de forma respeitosa, promovendo sua autonomia e bem-estar.
Portanto, a caridade é mais do que um sentimento; é a expressão concreta do amor, que se manifesta em ações de auxílio e solidariedade ao próximo.
- O Broto
Tudo bem, tudo a seu tempo, um dia a semente brota, um dia a compreensão vem, tudo no seu devido tempo. Quando o tempo da Caridade lhe tocar a alma, você vai se sentir frágil, pequeno, o que vai fazer com esse sentimento? Precisa ajudar de alguma forma, mas o que fazer? Perceba que sozinho será difícil fazer muita coisa. Então olhe ao redor, procure, você vi encontrar outras pessoas que fazem a Caridade, instituições, casas de auxílios diversos; uma que forneça um sopão para mendigos debaixo do viaduto; outra que ofereça auxilio espiritual em uma casa espírita, que ofereça cursos e oportunidade de por sua vez ajudar, uma vez já tendo sido ajudado, considerando que um dia foi você que chegou os cacos a bater-lhes a porta para um auxílio emergencial.
Você vai encontrar esse lugar bem próximo de você, seus novos pares, pessoas que já fazem o que você intui fazer. Eles, pessoas e lugares, sempre estiveram perto, você é que esteve cego esse tempo todo. Mas não se aflija, não será tarde demais, pois toda semente plantada será colhida; toda flor brotada espalha seu perfume ao redor.
- FTM, o testemunho
Fui conhecer a FTM de modo inusitado, já contei lá trás, mas ok, não existe acasos. Adorei a casa, me senti super bem. Mas fazia o tratamento, cumpria o roteiro do papel, uma vez finalizado, sumia no mapa. Voltava alguns meses depois, todo estropiado. De novo o mesmo roteiro. Ao final, me convidavam para o curso. Qual o quê, agora bem, pernas pra que te quero, lá ia eu de novo nesse mundão de meu Deus. Lá se ia um tempo e estava de volta. Mesmo roteiro. Me admirava o carinho com que me convidavam, mas não o suficiente de me convencerem, a semente resistia.
Certo dia, ao fim do ultimo roteiro, o mesmo convite. Não esperei que terminasse. Olhei nos olhos da pessoa e disse: Quando começa?
Resolvi sair da sarjeta e mendigar a cada transeunte que passava oferecendo ajuda. Tirei a poeira da chinela, ingressei no grupo dos caminhantes, muito chão pra correr, muita gente a ajudar.
Comecei e não parei. Nem sequer faltava um dia. Não havia naquele dia, compromisso maior e melhor que justificasse a minha falta. Assim cumpri esse roteiro, feliz, havia um novo halo em meu coração, a semente havia brotado.
Entre a FTM e outras, completei 10 anos de trabalho voluntário. Depois de um tempo afastado eis que voltei ao banquinho dos estudantes para de novo me credenciar ao trabalho na Seara Espírita e ter a chance de por algum tempo ajudar mais um bocadinho que seja. Deixa os bônus-horas contabilizarem na minha conta bancária espiritual... Sempre é bom pensar no futuro.
- O Engenheirão
Conta-se a estória, ouvi dizer, acrescentei uma pitada de uma especiaria especial misteriosa só pra dar mais um tempero, quem quiser adicione o seu.
O tal Engenheiro já tinha chegado naquela faixa da idade em que se considerava feliz, atingiu o apogeu profissional, montou empresa própria, com sócios, funcionários. Tudo ia bem na esfera pessoal, família, esposa e filhos, tudo indo bem graças Deus. Era um homem bom, merecedor da felicidade que usufruía.
Porém, um dia, algo em sua consciência mudou, um sentimento despertou, uma ideia transpassou-lhe a mente. Ele sentiu um chamado em seu coração. Era hora de repassar um quinhão de si para o coletivo. Mas como melhor ajudar, pensava ele, no alto do seu conhecimento técnico adquirido em muitos anos de trabalho e experiência, teórica e prática.
Passou a frequentar um Centro Espírita. Gostava do ambiente e não demorou a se voluntariar ao trabalho, movido que foi por essa força invisível que o instigava nesse sentido. Ele se animou e foi assim mesmo, meio desengonçado de inicio, precisava se soltar mais, muito sisudo, precisava libertar o sorriso da face, um tanto preso e tímido.
Logo no primeiro dia foi assistido por uma Senhorinha muito simpática que só de olhar já lhe arrancava um sorriso do lábio. Sentira afeição pelo doce carisma que aquela Senhorinha transmitia. Seus canais emotivos estavam mais fluidos, sentia mais emoções a corre-lhe pelas veias. Sentia uma graça que não sabia de onde via e sorria sozinho.
Senhorinha lhe deu copos de plástico para colocar nas mesas para o lanche das crianças e assim o fez. Porém deu uma lufada de vento e derrubou os copos. Ele correu e arrumou de novo. Porém nova lufada os derrubou novamente. Nessa hora a Senhorinha apareceu e se adiantou em recolocar os copos nas mesas. Mas ela os colocou emborcados, com a boca para baixo. Deu uma nova lufada de ar, mas os copos ficaram lá, firmes, todos nas mesas. Ela olhou para ele com tanta ternura que ele enrubesceu. Não trocaram palavras, não precisou. Senhorinha se afastou e ele ficou a pensar, passou um filme em sua cabeça, lembrando todas as teses e estudos das aulas do tempo de estudante de engenharia em renomada instituição. Concluiu com mais um sorriso, certas coisas se aprende mesmo e na prática. Senhorinha lá de dentro acenou, ele correu a ajudar.
Senhorinha depois de algum tempo fez sua passagem. Ele ficou muito triste. Adorava ela. Ela era a responsável por aquele estabelecimento. Ele assumiu a coordenação do estabelecimento, que desde então vem evoluindo sobremaneira, oferecendo várias atividades e diversos cursos profissionalizantes para aquela garotada carente toda.
Dizem que ele está lá te hoje. Deus o abençoe!
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