O Evangelho de Samuel
São Paulo, 18 de Março de 2026 O Evangelho de Samuel Samuel era intrépido, insolente. Rapa do tacho, filho temporão, vivia ali com seus pais já anciões, na casa vazia de irmãos, já mais velhos, espalhados pela Judeia toda. Mandava e desdizia, índole típica de filho mimado. Na vizinhança metia medos nos meninos, era o terror do bairro, sua fama chegava antes e já vinha assustando. Certa vez viu tal balburdia, um tumulto inesperado e estranho. Aproximou-se desconfiado, percebeu a atenção de todos os circunstantes ao mancebo ao centro que vos falava e sua voz era de trovão. Seu cabelo bipartido à moda dos nazarenos o delatava, que de bom vem da Galiléia? Pensou de pronto. Que tal argumento e encanto causava este esbirro, não obstante sua alva túnica branca, que o destacava dos demais. Falava de coisas estranhas, um mundo imaginário, mas com tal poder na voz e algo mais que o credenciava a titulo de algum mestre, quiçá mais um profeta, dentre tantos outros, de todo...