Paz entre Mundos - Disponível em Cosmogenealogia III, tópico 19.
Paz entre Mundos
São Paulo, 19 de Setembro de 2024
Da confortável cadeira de lona no quintal de tranquila herdade, observo um lago logo mais abaixo no terreno. Ao longe o Mar em suas ondas quebrando num rochedo à margem direita da praia. O Sol lançou seus últimos raios róseos pelo firmamento, despediu-se glorioso. No Céu, escurecendo pouco a pouco, surgem as primeiras estrelas. Em pouco tempo o céu negro está cravejado de diamantes brilhantes. Paz na Terra e no Céu, paz entre Mundos. Meu mundo interior está em Paz, em consonância e harmonia com a Natureza à minha volta.
Mas o que sei do mundo aquático que subjaz na superfície espelhada do lago, refletindo o brilho das estrelas? Que dizer da vasta gama de animais aquáticos que ali vivem, partilhando suas vidas com a flora submersa, que ora lhe servem de alimento, ora abrigo, dos que já escaparam do ciclo da criatura unicelular, dos animálculos, minúsculos seres, tão prolíficos quanto estrelas no Céu, ora caçam para se alimentar, ora são esmeros para não serem comidos?
Mais adiante o Mar, o Oceano, o Rei das Águas, o Reino de Poseidon, destino final de todas as águas, reduto derradeiro de cada gota..., de lágrima, de suor, de água que habita nosso organismo, reino infinito de células independentes ou agregadas em órgãos multifuncionais, orquestrando, por fim, todo nosso Corpo Humano. Que criaturas vivem lá, de lá, de onde nós mesmos viemos, quando nossas barbatanas se tornaram patas? Algumas gaivotas deslizam maviosas, dominam o ar com graça e leveza, usufruem da coragem de induzir seu próprio corpo biomórfico, em se atrever a transmutar patas em asas.
Ao longe, onde a vista alcança, uma linha tênue entre o Oceano e o Céu, o brilho aleatório da Lua na superfície do oceano inconstante, dá lugar ao brilho regular e constante das Estrelas a tremeluzirem no céu, cujo fundo negro remete ao infinito, àquilo que sobrevive além da razão e do corpo humano, habitáculo perpétuo dos Anjos, em sua oniciência e serenidade, desdobrando suas asas reluzentes, brotadas às costas do próprio opróbrio humano. Será um enorme espelho onde vemos refletido nossa própria imagem e semelhança, além ainda da forma, mas no seu conteúdo perene e insofismável, a razão, o sentimento, o próprio Espírito?
Paz entre Mundos, paz no Céu, paz na Terra, paz na Terra aos Homens de boa vontade, herdeiros incontestes do Reino do Céu, onde há de vigorar a Paz em toda a sua extensão possível, tanto quanto inimaginável, porque além da razão ou emoção humanas.
A Paz será algo vivo e cristalino com a água, que dela dependemos, mas nem sequer o gosto dela sentimos. Como será o gosto de nós mesmos quando tivermos o prazer de degustar a Paz que habita em nós mesmos?
A Paz será algo puro e leve como o Ar, que respiramos e nem sequer o cheiro dele sentimos. Como será o aroma de nós mesmos quando tivermos o prazer de cheirar a Paz que habita em nós mesmos?
Paz, Paz no Céu, paz da Terra, paz em cada coração, de cada Ser Humano, dos que já desvendaram o enigma da existência e descerraram a porta do último escaninho escondido do seu próprio Ser, cujo local tem uma cadeira de lona, à sua espera desde o início dos Tempos, postada de frente ao Paraíso, cujo cenário será um vislumbre para o seu próprio deleite.
Bem-vindo à sua Essência. Paz no Mundo. Paz entre Mundos. Paz profunda.
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