Dona Nena e a cúpula da Equipe do Espírito da Verdade - Disponível em Cosmogenealogia II, tópico 7
Dona Nena e a cúpula da Equipe do Espírito da Verdade
Conta-se que lá pras
beiradas do século XIX, fim, e inicio do
século XX, a cúpula da Equipe do Espírito da Verdade veio à Terra definir o
local onde se desenrolaria a ação da ampla divulgação da Terceira Revelação
prometida por Nosso Senhor Jesus Cristo e já codificada por Allan Kardec.
Estavam presentes Emmanuel, Chico Xavier, Ismael, Miguel e outros mais.
Fizeram a
comitiva na esfera circundante do Globo Terrestre, desceram pela Europa, alguns
descerraram episódios de outrora vividos ali. Lembranças, sacrossantas ou
cruentas, vívidas memórias de um passado longínquo. Atravessaram o oceano num
átimo, tempo suficiente para usufruir da energia prânica exalada pelo oceano.
Chegaram ao Novo Mundo, aportando no Rio de Janeiro. Foram recepcionados com
salvas na colônia Nosso Lar, ali em cima. Ministra Veneranda, outrora Santa
Isabel de Aragão, lá estava, exuberante, ao lado do governador da colônia.
Tinham a nobre incumbência de nortear-lhes o caminho naquele vasto rincão
abençoado por Deus. Pasto espiritual sem fim, pra aquelas almas renovadas em
espíritos já um tanto cansadas do Velho Mundo a pesar-lhes nos ombros. Tinham
ali novo impulso rumo às paragens celestiais.
Sem demora,
dada a despedida festiva, rumaram reto rumo a Oeste, rumos às montanhas das
Minas Geraes. Paisagem exuberante os aguardava. Que belo rincão. Que
maravilhoso clima e temperatura. Atmosfera de Paraíso no ar... Volitando com
incrível velocidade numa guinada desceram e se aproximavam do solo, agora com
carreira mais amena. No ar um doce aroma, um cheiro incrível. Avistaram
bucólica herdade, uma fumarola saia pela chaminé. Aproximaram-se.
Chico e
Emmanuel entraram, os outros ficaram volitando por ali por sobre o telhado, o
terreno, observando o aprazível lugarejo. D. Nena os recepcionou.
- Bem no horário,
meninos. Já os aguardava, disse carinhosa, retirando uma forma do forno.
Inundou apetitoso aroma no ar. Chico atentou-se.
- Que cheiro maravilhoso
Senhora. Que apetitosa iguaria será essa? Perguntou, com um olho no bolinho, o
outro na Senhora. Isso devo explicar, Chico viria com moderado estrabismo e já
apresentava essa característica, uma vez já se amoldando ao seu perispirito que
em breve vestiria em definitivo.
- Pão de queijo. Disse
a Senhora. Pão de queijo! repetiu o Chico, acenando com o dedo pra baixo em
direção à Emmanuel. Ele demorou-se a entender o gesto, ao que o Chico
continuava a acenar. Por fim entendeu, sacou do caderninho que trazia consigo e
anotou...
Chico provou o tal
pãozinho de queijo quentinho saído do forno estalando o lábio maravilhado com o
sabor. Estupendo, disse.
D. Nena, ato contínuo,
serviu um liquido preto quente fumegante de um bule verde de louça esmaltada.
- D. Nena, minha
Senhora. Apartou Chico. Que doce bebida será essa que nos serve e que já me
atiçam o paladar? Disse o Chico com um olho na xícara outro na Senhora.
- Cafezinho, meu
menino. Respondeu D. Nena com indizível ternura. Qualquer palavra, a mais cândida
que fosse, para com eles, não seria capaz de traduzir o imenso amor que emanava
aquele coração puro.
Chico experimentou
maravilhado. Estalando o beiço, sussurrou, ‘cafezinho’... Olhou para Emmanuel
com o dedinho em riste pra baixo. Emmanuel resoluto, tomou do lápis, anotou.
Chico nessa altura já
tinha todos os sentidos aguçados, incluídos os cinco físicos. O que cheirava e
provava remetia-lhe a doces e profundas memórias perdidas em éons de
experiências todas elas ali reunidas de uma vez. Indescritível sensação o
invadia.
Investiu seu olhar para
a prateleira onde repousavam em vidros, compostas de produtos suculentos e
cremosos que já lhe atiçavam o paladar.
- D. Nena, Nobre
Senhora, o que vos guarda nessas vasilhas preciosas? Perguntou já sentindo os mais
variados gostos na boca fazendo-o salivar.
- São vidros de doces
que eu mesmo faço aqui nesse velho forno à lenha com esses surrados tachos, meu
filho. Disse com ternura.
- Sim, quantos, cada
qual com viva cor, textura, formato e, claro, incrível sabor, eu suponho. Disse
Chico com um olho na prateleira e outro em D. Nena. Emmanuel pegou o lápis.
- Experimente esse meu
menino. Disse a bondosa senhora, ofertando-lhe uma taça com uns cubos verdes
suculentos.
- Maravilhoso D. Nena.
Esse que doce é? Perguntou Chico, com um
olho em D. Nena e outro em Emmanuel.
- Esse é de laranja
cidra, meu filho. Respondeu.
- Laranja Cidra...
repetiu Chico, provando mais um bocado, e olhando Emmanuel por cima do óculos
movimentou o dedinho pra baixo. Emmanuel anotou...
- Prove esse, meu
filho. Disse a bondosa senhora, ofertando nova taça com uma pasta cremosa e uma
fatia de um produto branco redondo.
-Divinos minha Senhora,
disse Chico, degustando as iguarias. Esses, minha Senhora, perguntou o Chico,
com um olho no creme outro na fatia, quais são?
- Esse é o Doce de
Leite, indicando a pasta cremosa e esse o Queijo Fresco. Muito bom não, meu
menino? Pergunto D. Nena.
- Chico balançou a
cabeça apanhado que foi com a boca cheia. Com apenas um olho mirou Emmanuel,
que anotou de pronto.
Minha bondosa Senhora, eu estou no céu... Disse Chico. Com todas essas
compotas aqui desta prateleira eu poderia ficar conversando com a Senhora por
horas a fio. Disse sorrindo, encantado, tentando retribuir o carinho e tamanha gentileza de D. Nena.
Do alto, por sobre a
casa, Ismael e Miguel confabulavam, contemplando o lugar. Por vezes, pelas
frestas dimensionais criadas através do telhado, espiavam a conversa lá
embaixo, trocavam risos confidentes entre eles.
Por essa hora o sol se
quedava por sobre a montanha, vazava os altos arvoredos na borda da colina,
espraiava-se pelo largo pasto, atravessava o jardim de D.Nena e invadia-lhe a
cozinha pela janela de madeira entreaberta.
D.Nena notou o brilho
do sol nesse dia de modo singular. Aproximou-se da janela, abriu-a por inteiro.
Era o próprio Cristo que recebera os informes de seus emissários e viera
presenciar esse momento mágico, inundando aquele ambiente com sua aura de Amor
e Paz infinitos.
D. Nena comovida
debruçou-se na janela, reparou naquela roseira transplantada na véspera, doada
pelo vizinho, que viúvo, não tinha mais motivo dela cuidar. Chegara murcha e
despetalada. Agora, como que por milagre, tinha na ponta de seus ramos
verdejantes magnífica Rosa, tão grande e tão bonita como ela nunca tinha visto
igual. Seus olhos marejaram e ela fez um agradecimento sentido, em silencio,
elevando seu pensamento ao Alto, à Jesus Misericordioso e ao Sagrado Coração de
Maria. Seus olhos puderam ver e seu coração pudera sentir a força Divina de
Deus quando, juntando cada benção, opera sua Obra.
Voltou-se para a mesa
vazia. Seus meninos já se tinham ido. Vão com Deus, meus Amores. Disse ela
consigo mesmo.
Do alto, acima do
telhado agora todos reunidos, confabulavam satisfeitos com indizível alegria
estampadas nos seus rostos refulgentes.
- Está feito! Seja
feita a Vontade de Deus! Pronunciou Miguel. Retiram-se de volta pro Espaço.
Quem presenciou, pensou ter visto uma chuva de meteoros ao contrário, partindo
da Terra e subindo aos céus.
Nesse momento D. Nena
despertou da sua soneca da tarde em sua rede na varanda da casa. Seu sexto
sentido não lhe faltara, sabia pelo olfato, mesmo dormindo, quando o pão de
queijo estava assado, e o doce no tacho curado.
-Nhô Chico! Gritou da
janela em direção ao mangueiro. Está pronto! Anunciou ela a plenos pulmões. Seu
Francisco estava apartando os bezerros pra ordenha das vacas.
-Oxê, quase me mata de
susto sô, já estou aqui. Disse Sr. Chico, adentrando a cozinha e pendurando seu
chapéu no gancho e colocando o balde de leite na beirada do fogão. Amanhã é dia
de tachada, mais um belo tacho de doce de leite seria produzido por D. Nena.
Ninguém viu, mas uma das luzes ficou pra trás e lá do alto se demorava em olhar pra baixo com especial candura no peito. Tirou um papelzinho do bolso e anotou: D.Nena e Sr. Francisco.
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